Estrada Real contempla 28 municípios mas ainda não foi revitalizada na Bahia
A estrada foi criada para que transitasse por ela o ouro extraído no Brasil e levado a Portugal. Legalmente 500 toneladas transitaram na Estrada do Ouro, rota Minas - Rio de Janeiro durante o período Colonial, porém, na via para a Bahia a situação era completamente diferente. Foi aberto um trecho para o desvio dos minerais e esse trecho ficou conhecido como “descaminho”, sendo responsável pelo extravio de toneladas ilegais de ouro. Pela rota baiana passavam também gêneros alimentícios que saíam das grandes fazendas de criação de gado das localidades do Rio São Francisco (BA) com destino aos povoados e vila mineradoras que estavam sendo fundadas na região de Minas.
IMPORTÂNCIA - A Estrada tem sua importância histórica e cultural quando se torna um dos grandes responsáveis pelo surgimento de mais de 21 estados mineiros através do intenso processo de urbanização do centro-sul, tendo em suas margens diversos arraiais, povoados e vilas que foram originárias a partir da economia de mineração. Como principal fornecedora de alimentos, a Bahia se torna também uma das responsáveis pelo processo. Essa abertura entre as duas localidades gerou identidades parecidas na arquitetura, na manifestação cultural e na história do surgimento das cidades.
A designação Estrada Real se refere ao fato de ser esse, o único caminho oficial autorizado para a circulação de minérios extraídos nas minas. A partir daí, eles eram levados via terrestre para a Coroa Real que ficava localizada no Rio de Janeiro, sendo fiscalizados de maneira severa através de postos de inspeção ao longo do trajeto.
REVITALIZAÇÃO – Hoje em dia, o único trecho transitável é Minas-Rio, porém já existe uma proposta para revitalização do trecho baiano que contempla 28 municípios. A idealização é da Superintendência Regional do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) junto com as Secretarias de Cultura, Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional e Bahiatursa. De acordo com o superintendente do Iphan na Bahia, Leonado Falangola, já existe a cerca de um ano propostas de ações em torno dos municípios baianos para fomentar as localidades e torná-las pólos de turismo internacional voltado para o turismo histórico, levando em conta a preservação do Patrimônio Histórico presente em diversas localidades baianas, e da importância cultural que aquela estrada representa, para o município e para a história do Brasil.
Ele garante que o processo está ainda em fase inicial, devido a sua complexidade, sendo necessário a pesquisa de campo realizada por historiadores e técnicos tanto do Iphan quanto dos outros órgãos que participam do projeto. “Estamos realizando um levantamento e um estudo de viabilidade”, diz Falangola. A Secretaria de Cultura afirma que as ações concretas ainda não aconteceram, mas já está em fase de estudo. A Bahiatursa afirma também, que houve uma articulação na gestão passada com o projeto mineiro, porém novas articulações estão sendo organizadas com órgãos do Governo do Estado e com o Iphan.
ARTICULAÇÃO - A articulação informada pela Bahiatursa, se refere ao projeto idealizado pelo Instituto Terrazul, de Minas Gerais que recebeu um financiamento do Programa Monumenta do Ministério da Cultura (MINC). O investimento de R$ 77.483,41 foi responsável pela expedição que começou no dia 14 de agosto de 2006 e contou com 12 expedicionários entre historiadores, geógrafos, jornalistas, fotógrafos e ambientalistas. O projeto percorreu o trecho Minas- Bahia e teve início em Mariana (MG) passando por 36 cidades (Minas-Bahia), sendo que 29 delas possuem acervos tombados pelo Iphan.
O objetivo do edital foi cumprido. De acordo com o coordenador do projeto do Instituo Terrazul, Américo Antunes, “não é de competência do nosso instituto, realizar as ações necessárias. O nosso trabalho foi identificar e catalogar a rota histórica e enviar aos órgãos competentes um relatório sugerindo algumas ações para permitir que a rota Bahia – Minas possa ser transitada com segurança e informação. É de obrigação do Iphan, junto com o Ministério da Cultura em parceria com os governos Estaduais e Municipais colocar em prática o projeto”.
A conclusão do trabalho resultou em um relatório entregue ao Iphan (Brasília) e ao MINC que contou com sugestões sobre o revitalizar a estrada e torná-la um atrativo turístico. Leonardo Falangola afirma que é preciso ter cuidado na hora de revitalizar “Não queremos tornar a estrada um mero empreendimento comercial”. Para conhecer o relatório escrito pelo Terrazul, basta acessar o site www.terrazul.org.br.