quinta-feira, janeiro 08, 2009

Itaparica completa neste mês 186 anos de independência

No dia 07 de janeiro, o município de Itaparica estará comemorando o seu 186º aniversário de independência da ilha em relação ao domínio português. Comemorada desde 1823, a data, batizada de Dia da Devoção Patriótica dos Insulares, marca a luta dos nativos pela Independência do Brasil. Neste ano, os invasores portugueses, comandados pelo general Madeira de Melo, sofreram a sua última derrota em solo do do Recôncavo baiano, sendo expulsos da região pelas tropas do tenente itaparicano João das Botas e sua “flotilha insulana” formada por barcos e pescadores da ilha de Itaparica.

Itaparica festeja seu aniversário de independência com muita tradição, onde todos os anos ocorre a queima de fachos (instrumentos de pesca utilizado pelos pescadores, os quais simbolizam a noite da vitória contra os portugueses, quando toda cidade foi iluminada pela luz de fachos acesos) em direção à Fonte da Bica. A fonte, construída em 1842, é de água medicinal. Em 1937, a cidade foi oficialmente declarada Estância Hidromineral, sendo a única à beira-mar existente no Brasil. A nascente da bica fica oculta no morro de Santo Antônio.
FONTE DE LENDAS - Uma das lendas mais famosas de Itaparica remete à famosa Fonte da Bica, que para quem a conhece, é inspiração para a clássica rima criada pelo poeta frei Manoel de Santa Maria Itaparica e encravada nos azulejos do local: “Êh! Água fina, faz velha virar menina!”. A “fonte da juventude” criou outro mito: a água de cada uma de suas três torneiras, ao ser bebida, traria saúde, amor e felicidade.
Apesar de sua construção em 1842, a Fonte da Bica já tinha utilidade de sua água conhecida há mais tempo, desde o final do século XVI. Segundo relatos de um dos grandes guardiões da história do local, Ubaldo Osório, jornalista, escritor e avô do também escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, a fonte era um simples regato, “cujas águas límpidas e frias corriam nas bicas de bambus para o Poço das Pedras, onde os aguadeiros apanhavam a preciosa linha d'água para o abastecimento da população”.
O nome Itaparica vem do tupi, que significa “cerca de pedras”, por causa dos arrecifes que contornam toda a costa da ilha. Mas, há uma segunda versão para o nome do município aniversariante: seria uma corruptela do chefe tupinambá, Taparica, pai da índia Catarina Paraguaçu. Ubaldo Osório afirma que a Itaparica foi a primeira localidade do Brasil a funcionar como destino turístico: em 1553, cerca de 40 pessoas da comitiva de Tomé de Souza visitou a ilha.
HISTÓRIA CULTURAL - A mais famosa ilha da Baía de Todos os Santos, a Ilha de Itaparica, é dividia em dois municípios: Vera Cruz e Itaparica. Em Itaparica, o solo, antes habitado por índios tupinambás, é fértil em belezas naturais e possui expressivo patrimônio histórico. O Forte de São Lourenço é um dos símbolos de resistência de Itaparica na batalha pela independência da Bahia. A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e a Igreja de São Lourenço, padroeiro do lugar, são construções do século XVIII que devem ser vistas por todo visitante.
O Centro Histórico de Itaparica, onde estão os casarios e sobrados em estilo colonial, reserva surpresas e belezas singulares que podem ser vistas por um passeio a pé, pelas ruas amplas e arborizadas do lugar. O sobrado Tenente João das Botas (personagem da história baiana que se destacou na Batalha do Funil contra os portugueses) abriga o Centro Artesanal, onde são comercializadas peças artesanais feitas de búzios e conchas. Há também o sobrado Monsenhor Flaviano, onde se hospedou Dom João VI e Dom Pedro.
A Ilha de Itaparica está situada a 14 km de Salvador e é a maior das 56 ilhas da Baía de Todos os Santos, tem 246 quilômetros quadrados, distribuídos em dois municípios. A Ilha detém mais de 40 quilômetros de praias, com farta vegetação tropical, onde predomina exuberantes coqueirais e inúmeros vilarejos de pescadores, remanescentes der aldeias indígenas. Rara é a sua beleza, que só a Bahia pode nos apresentar, banhada de sol o ano todo, com temperatura média anual de 25ºC, possui características próprias, tanto físicas como culturais. Quem visita a ilha e aproveita suas praias de águas mornas, folclore diversificado, artesanato próprio e culinária das mais apreciadas em todo o Brasil, descobre também personagens importante (sejam pescadores, marisqueiras, escritores, cozinheiras, guerreiras – como Maria Felipa, entre outras) que vão desvendando a identidade cultural não só do povo baiano, mas de todo o povo brasileiro.